Helen Mendes Lima traduziu este artigo.
Gymnotus omarorum, um peixe fracamente elétrico, vive em rios de água doce de todo o Uruguai. Esses peixes usam eletricidade para se comunicar e são altamente territoriais, o que os torna modelos ideais para o estudo da neurobiologia do comportamento agressivo, diz Ana Silva, professora de neurociência da Universidad de la República, em Montevidéu. Como os peixes defendem seu território durante todo o ano, a equipe de Silva tem se concentrado em como os circuitos hormonais envolvidos nessa agressividade mudam com as estações do ano—em particular, como os níveis de neuropeptídeos e o comportamento se alteram ao longo do ano.
Há quase 40 anos, Omar Macadar e Omar Trujillo Cenóz registraram pela primeira vez sinais elétricos do Gymnotus omarorum, que recebeu esse nome a partir de uma combinação de palavras do grego e do latim que significa “costas nuas dos Omars”. Depois de estudar no exterior e retornar ao Uruguai, a dupla estabeleceu o peixe como espécie-modelo. O trabalho deles “abriu um novo capítulo” na pesquisa em neuroetologia no Uruguai, afirma Silva. Desde então, os peixes fracamente elétricos têm impulsionado estudos sobre ritmos circadianos e eletropercepção, principalmente no Uruguai, mas também no Brasil e no Chile.
