Helen Mendes Lima traduziu este artigo.
A perereca de Montevidéu, Boana pulchella, conhecida no Brasil como perereca-do-banhado, é abundante nas regiões temperadas do Uruguai, em partes da Argentina e no sul do Brasil. À noite, perto dos equinócios de primavera e outono, os machos se agrupam e cantam em coro, competindo pela atenção das fêmeas. Cada macho possui um pequeno repertório de notas de canto e precisa modular seu canto para se destacar dos demais.
Esses conquistadores arborícolas estão ajudando Paula Pouso, professora associada de histologia e embriologia da Universidad de la República, em Montevidéu, a estudar como os neuropeptídeos moldam as interações sociais e a desvendar os circuitos cerebrais envolvidos na modulação de comportamentos complexos.
Por exemplo, a temperatura e a época do ano afetam o canto dos machos, conforme relatou o grupo de Pouso no ano passado, mas esses fatores não explicam toda a variabilidade na forma e no momento em que os sapos cantam. Em experimentos de campo, antagonistas da vasotocina—a precursora evolutiva da oxitocina e da vasopressina dos mamíferos—diminuem a probabilidade de os machos cantarem e aumentam a frequência com que cantam, de acordo com resultados ainda não publicados.
Como próximo passo, Pouso e seus colegas pretendem estudar de maneira mais detalhada como a vasotocina altera o canto dos machos e identificar as regiões cerebrais envolvidas na modulação do canto mediada por neuropeptídeos. Por fim, o grupo busca desvendar os fatores ambientais e individuais que levam à variabilidade dos chamados, diz Pouso. “Temos um caminho: analisar o nível populacional, depois o nível individual e, então, usar um modulador em campo para verificar se ele altera o comportamento do animal,” acrescenta ela.



