A pulmón. É assim que os neurocientistas da América Latina dizem que realizam seu trabalho: com pura determinação diante de inúmeros obstáculos, incluindo a persistente falta de infraestrutura e de financiamento necessários para fazer ciência. Para esta reportagem, que você pode explorar usando o mapa interativo abaixo ou pelas seções temáticas acima, conversamos com quase 50 neurocientistas latino-americanos para entender como essas limitações moldam sua forma de trabalhar—e como eles conduzem pesquisas de alta qualidade apesar delas.
Um ponto comum que surgiu nas nossas conversas foi que os neurocientistas latino-americanos aproveitam o que têm à disposição. Animais nativos podem mostrar o potencial de modelos não tradicionais. Como as novas tecnologias podem ser caras, os pesquisadores constroem sua própria infraestrutura do zero. “Montamos tudo com arame”, como diz um ditado argentino.
“Não é como se houvesse um departamento que lhe entregasse os eletrodos; você mesmo precisa fabricá-los. Não é como se houvesse um cientista de dados que fizesse as análises para você; você mesmo precisa fazê-las”, diz Agustín Ibáñez, um neurocientista argentino do Trinity College Dublin que fundou o LatBrain, iniciativa que busca promover a pesquisa sobre o cérebro na América Latina.
Dessas histórias sobre como neurocientistas latino-americanos se adaptaram a recursos limitados emergem lições para todos os pesquisadores sobre como aproveitar ao máximo o que têm à disposição e como essas restrições podem inspirar novas formas de trabalho e colaboração.
No entanto, a história da neurociência na América Latina não se resume à escassez: em toda a região, pesquisadores contribuem constantemente para a área, em nível internacional, com descobertas importantes e abordagens inovadoras.
Aqui, focamos em neurocientistas e instituições de seis países—Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Uruguai—escolhidos com base em nossa reportagem e em um estudo que quantificou a produção científica em neurociência e psicologia. Não se trata de um panorama completo, portanto, acompanhe nossa cobertura contínua desses e de outros países da América Latina, incluindo nossa cobertura do encontro da Federação das Sociedades de Neurociências da América Latina e do Caribe (FALAN) em Santiago, Chile, nesta semana.
“Em alguns países, onde a neurociência é mais desenvolvida, vejo que ela está no mesmo ritmo da neurociência no resto do mundo,” diz Luiz Mello, diretor de pesquisa e inovação do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, no Brasil. Mas, ainda assim, “há um longo, longo caminho a percorrer em muitos, muitos países”.
