Manifestantes marcham pela rua carregando uma faixa com os dizeres "defendamos la ciencia".
Mobilização em massa: Em resposta à queda nos salários e à redução do orçamento federal para a ciência, pesquisadores na Argentina se reuniram na tarde de 12 de maio para a quarta marcha pela educação, pelas universidades públicas e pela ciência nacional.
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Manifestantes argentinos denunciam a falta de financiamento para a ciência

Em todo o país, manifestantes exigiram que o governo aumentasse os salários dos funcionários das universidades públicas e o financiamento da pesquisa científica.

By Claudia López Lloreda, Natalia Mesa
10 August 2026 | 4 min read

Claudia López Lloreda e Natalia Mesa realizaram suas entrevistas em espanhol e, em seguida, traduziram-nas para o inglês.

Helen Mendes Lima traduziu este artigo.

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Em 12 de maio de 2026, 1,5 milhão de pessoas em cidades por toda a Argentina participaram de marchas para defender o financiamento das universidades e reajustes salariais corrigidos pela inflação para os funcionários e pesquisadores das universidades públicas, segundo Franco Bartolacci, reitor da Universidad Nacional de Rosario e presidente do Conselho Interuniversitário Nacional, uma organização nacional de defesa do sistema público de ensino superior da Argentina, que organizou o protesto.

Manifestantes carregam cartazes e gritam palavras de ordem nas ruas de Buenos Aires.
Fim de uma era: Daniel Tomsic (na foto), professor associado de neurociência da Universidad de Buenos Aires, afirma não ter recebido nenhum financiamento científico desde que o presidente Javier Milei assumiu o cargo, em dezembro de 2023. “Comecei meu laboratório em 1998. Sempre tive financiamento”, diz Tomsic. “Agora estou completamente sem financiamento pela primeira vez em 30 anos.”
Manifestantes carregam cartazes e entoam palavras de ordem nas ruas de Buenos Aires: uma multidão portando grandes cartazes ocupa as ruas; prédios são visíveis de um lado.
O desaparecimento da ciência: Tomsic marchou ao lado de outros neurocientistas e membros do corpo docente do departamento de fisiologia e biologia celular e molecular da Universidad de Buenos Aires. “Não estou sozinho. A grande maioria dos meus colegas não tem financiamento nem alunos”, diz Tomsic.
Manifestantes carregam cartazes e entoam palavras de ordem nas ruas de Buenos Aires: dois jovens aparecem em primeiro plano com as bocas abertas e, atrás deles, o foco recai sobre um cartaz de protesto que destaca a importância do financiamento da ciência.
Êxodo de pesquisadores: Cientistas, especialmente jovens pesquisadores, estão cada vez mais considerando deixar o país ou se mudar temporariamente devido às crescentes pressões financeiras e institucionais que afetam o sistema científico argentino, diz Spring Valdivia, pesquisadora afiliada à Universidad de Buenos Aires e ao Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET), a principal agência científica da Argentina, mas que atualmente está em licença. Valdivia diz que não tinha condições financeiras para morar em Buenos Aires; assim, depois de passar algum tempo se deslocando entre La Plata e Buenos Aires, decidiu se mudar temporariamente para o Uruguai, mantendo o vínculo com sua pesquisa de forma remota. “O fato de eu não ter recursos nem para realizar experimentos básicos tornava inútil gastar dinheiro com o deslocamento.”
Mãos estão colando um cartaz em um espaço público com um pincel; o cartaz traz a frase "Ciencia es soberania" — que significa "Ciência é soberania" —, um slogan popular na Argentina.
Em defesa da educação: “Ciência é soberania” é um slogan popular na Argentina. “Não há país sem ciência nem educação”, afirma Bartolacci.
Manifestantes que gritam e entoam palavras de ordem carregam uma grande faixa de tecido à sua frente, e outras faixas de tecido menores são visíveis acima de suas cabeças.
Defendendo a ciência: Joaquín Braude de López (o segundo da direita), estudante de graduação em física e presidente do Centro Acadêmico de Ciências Exatas e Naturais da Universidad de Buenos Aires, marchou ao lado de Ibi Gal (a terceira da direita), estudante de graduação em ciência de dados e vice-presidente do centro.
Um jovem de cabelos escuros e bigode segura uma placa feita à mão nas ruas de Buenos Aires.
Ciência não está à venda: Aproximadamente 600 mil pessoas participaram da marcha em Buenos Aires, muitas com cartazes, incluindo este homem com uma mensagem escrita à mão que significa: “Ciência e educação não estão à venda.”
Um grupo de mulheres manifestantes é visto contra o sol, em silhueta parcial, projetando sombras escuras. A fumaça de um vendedor de comida próximo contribui para a atmosfera.
Futuro incerto: Os manifestantes marcharam pela Avenida de Mayo, que conecta a Casa Rosada, sede da presidência, ao prédio do Congresso Nacional. “Havia muita gente lá, e é bom quando você está lá e sente um espírito de solidariedade”, diz Nara Muraro (que não aparece na foto), pesquisadora do CONICET no Instituto de Investigación en Biomedicina de Buenos Aires, um instituto parceiro da Max Planck Society. “Mas, neste momento—considerando o quão ruim está tudo—, sinto que vai ser difícil que alguma coisa mude para melhor. Então você vai ao protesto mesmo assim, mas sabe que isso não vai adiantar nada, e isso é muito desmotivador.”

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