Helen Mendes Lima traduziu este artigo.
As borboletas preferem parceiros que se pareçam com elas, e mesmo espécies proximamente relacionadas apresentam padrões, ecologias e comportamentos marcadamente diferentes.
“Estamos tentando entender como os comportamentos são codificados no cérebro e como isso contribui para a diversificação das espécies”, diz José Borrero, aluno de pós-graduação do laboratório de Richard Merrill na Ludwig Maximilian University, em Munique, que estuda as borboletas do gênero Heliconius em colaboração com Carolina Pardo-Díaz, professora associada de genética evolutiva, filogeografia e ecologia na Universidad del Rosario, em Bogotá, e Camilo Salazar, professor do mesmo departamento.
A Colômbia possui uma densidade extraordinária de espécies de Heliconius, com populações distintas em ambos os lados da Cordilheira dos Andes, o que a torna um local ideal para estudar como as diferenças no habitat moldam o cérebro, o comportamento e a genética das borboletas. Um único locus genético explica cerca de 30% da diferença na preferência por parceiros entre duas espécies, um efeito surpreendentemente grande para um comportamento tão complexo quanto a escolha do parceiro, diz Merrill, professor de biologia evolutiva da Ludwig Maximilian University, em Munique. Os genes subjacentes à preferência por parceiros estão fisicamente próximos, no genoma, daqueles que controlam o padrão das asas, o que significa que tendem a ser herdados juntos e ajudam as populações a permanecer distintas mesmo quando se cruzam. Ambos os conjuntos de genes podem atravessar as fronteiras entre espécies por meio da hibridização, levando preferências comportamentais e padrões de coloração entre linhagens.
Agora, o laboratório quer entender como essas diferenças genéticas se traduzem em diferenças no cérebro.
