Helen Mendes Lima traduziu este artigo.
Na costa da Argentina, nos estuários e pântanos salgados do Atlântico Sudoeste, inúmeros caranguejos escavam tocas na areia. Daniel Tomsic, professor associado de neurociência da Universidad de Buenos Aires, cresceu observando essas criaturas tão comuns, Neohelice granulata, entrando e saindo rapidamente de suas tocas sempre que visitava a praia.
Tomsic agora estuda como os gânglios do caranguejo controlam o comportamento de fuga guiado pela visão nesses mesmos animais. As gaivotas caçam essas criaturas, que são apenas um pouco maiores do que uma palheta de violão. Quando um caranguejo vê uma gaivota voando acima dele, precisa decidir se deve fugir e em que direção. É o mesmo cálculo que um tenista faz ao avaliar um saque a 200 quilômetros por hora e decidir quando rebater, diz Tomsic. “Ninguém sabe como esses cálculos de tempo até a colisão são feitos”, afirma, acrescentando que o caranguejo é um organismo-modelo adequado para estudar essa questão.
Tomsic herdou o modelo de seu mentor, Hector Maldonado, que introduziu o Neohelice como um modelo neuroetológico na Argentina após retornar de 18 anos de exílio. Tomsic avançou no trabalho realizando registros intracelulares em animais vivos em atividade, algo que antes só havia sido feito em insetos e somente depois que braços e pernas do animal eram removidos. A carapaça rígida do caranguejo e a região cerebral acessível, que pode ser alcançada por meio de um pequeno orifício perfurado na cutícula, tornaram isso possível, diz Tomsic.