ESTE ARTIGO FAZ PARTE DO NOSSO RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DA NEUROCIÊNCIA NA AMÉRICA LATINA.

Scientists with giant animals: Frog, butterfly, electric fish and a bird.
Aja naturalmente: Dos pássaros aos peixes, a neuroetologia está viva na América Latina.
Ilustração de Daniel Barreto
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Biodiversidade da América Latina impulsiona descobertas sobre comportamento social e cognição

Joões-de-barro, peixes-elétricos, pererecas e outros animais da fauna regional ajudam neurocientistas a formular novas perguntas de pesquisa.

By Natalia Mesa
28 August 2026 | 2 min read

Helen Mendes Lima traduziu este artigo.

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A América do Sul é um dos continentes com maior riqueza biológica do planeta, abrigando um vasto mosaico de ecossistemas. Cientistas da região aproveitam essa biodiversidade para investigar questões sobre o cérebro, estudando espécies que não existem em nenhum outro lugar e, muitas vezes, realizando pesquisas de campo fora de seus laboratórios.

Embora não seja novidade na região, a neuroetologia tem crescido constantemente na última década, à medida que pesquisadores independentes estabeleceram novos modelos animais. Entre esses modelos estão sapos, borboletas e pássaros canoros no Uruguai, na Colômbia e na Argentina, que vêm ajudando os cientistas a compreender melhor a comunicação, a escolha de parceiros e o comportamento social em ambientes naturais. Estudos identificaram os genes que impulsionam o comportamento agressivo em peixes fracamente elétricos e elucidaram os circuitos neurais envolvidos na predação e na fuga em caranguejos.

“A América Latina é uma enorme estação de campo experimental da qual talvez ainda não tenhamos tirado proveito total”, diz Paula Pouso, professora associada de histologia e embriologia na Universidad de la República, em Montevidéu. “Sempre que vamos a campo, voltamos com novas perguntas, porque simplesmente observar o comportamento e o que acontece já levanta tantas questões.”

A região oferece a oportunidade de estudar espécies que, de outra forma, seriam inacessíveis, muitas vezes em abundância e a um custo baixo—uma necessidade em países onde o financiamento costuma ser escasso e imprevisível. Pesquisadores que vivem no Cone Sul da América do Sul, em particular, afirmam que a ecologia local possibilita o estabelecimento de uma comunidade de pesquisa perto de casa.

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