Helen Mendes Lima traduziu este artigo.
Quando Mónica López-Hidalgo me convidou para almoçar durante uma visita ao campus da University of California em San Diego, em abril, eu não tinha ideia de que ela me levaria às lágrimas ao me contar sobre seu trabalho. López-Hidalgo, professora associada da Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM), é uma pesquisadora renomada na área de astrócitos, mas foi o trabalho que ela realiza por meio de seu programa de extensão, Neurociências Para Todos, que me inspirou a gravar e compartilhar esta conversa.
O programa Neurociências Para Todos tem como foco promover a educação em neurociência em algumas das comunidades mais remotas do México, como as cidades montanhosas de Itxtepec e Laguna de Guadalupe. Algumas das comunidades atendidas não têm eletricidade nem água encanada, e alunos de diferentes séries às vezes estudam todos juntos em uma única sala de aula. Talvez alguns desses alunos venham a ingressar na universidade estadual.
O programa teve início em 2019, quando López-Hidalgo estava em seu segundo ano como docente na UNAM. Dois alunos, Laura del Pilar-Martínez e Jonathan Gutiérrez, procuraram López-Hidalgo com uma ideia: queriam levar o que estavam aprendendo em sala de aula para as comunidades vizinhas. Ao mesmo tempo, López-Hidalgo começou a perceber que parte do trabalho que realizava em seu laboratório—mesmo que fosse apenas a análise de tecidos do sistema nervoso—era algo que a maioria dos alunos nunca teria condições de fazer em comunidades rurais. Logo nas primeiras etapas do planejamento, López-Hidalgo chamou outra professora da UNAM, Ericka de los Ríos-Arellano, para participar e os quatro lançaram o Neurociências Para Todos com o objetivo de, literalmente, tornar o sistema nervoso mais visível para as comunidades rurais do México.

